HQs Entrevista | Ed Oliver

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Hoje tenho a honra de receber o co-criador do Máscara Noturna, um dos personagens mais polêmicos e, ao mesmo tempo, mais vendido da década passada. Venha saber como foi o processo de criação do personagem, sua história e tudo sobre os personagens e carreira do talentoso Ed Oliver.

1 – A premissa do Máscara Noturna me lembra muito o seriado Dexter, no qual ele canaliza sua vontade de matar em pessoas ruins. O interessante é que você torce para que o personagem consiga matar “os vilões”. Mas de onde surgiu essa ideia para o anti-herói que você criou o visual  para o José Salles? 

Bem, vamos lembrar que o ano era 2004 e isso foi bem antes do Dexter, na verdade estávamos naquela fase em que os heróis “bad boys” estavam em alta, eu e Salles sempre achamos essa postura Bad Boy muito artificial, sobretudo nos personagens das grandes editoras, o Salles pensou em um personagem para nossa realidade e fez uma premissa fantástica, já que era para ser um anti-herói, que fosse o mais extremo até aquele momento criado: “O que uma pessoa faria se recebesse um poder mas com ele fosse obrigado a matar um ser vivo a cada 24 horas?” Em cima disso eu também criei outras premissas do personagem, como o delegado amigo de seu pai e o conceito de que esse poder, essa maldição que ele carrega, o “Fogo de Kaya”, existe desde tempos imemoriais, e outros em outras épocas já foram “Máscaras Noturnas”, mas não tivemos tempo de fazer estas outras histórias…

O Estudioso de quadrinhos Professor Vinicius Oliveira publicou um estudo completo sobre a trajetória do Máscara Noturna e seu fenômeno editorial no Portal dos Quadrinhos, quem quiser conferir é só visitar: Portal dos quadrinhos.

2 – O Brasil não é considerado uma potência em quadrinhos, existem bons autores, boas histórias e personagens, mas nada comparado ao mercado norte-americano. Nesse conturbado cenário nasce um personagem que tinha um público alvo específico, o adulto que é leitor de quadrinho. Note que todas as fichas estão contra o Máscara Noturna, mas mesmo assim ele vira um sucesso dentro do país. O que você acha que motivou tal sucesso?

Você observou bem! Era exatamente essa a da Júpiter 2, apostar em autores que as grandes editoras não davam bola e resgatar material essencial, como dos mestres: José Menezes, Gedeone Malagola e Julio Shimamoto. Nós já sabíamos, por experiência, que muito do que se falava de quadrinhos nacional e sobre “material que não era vendável” era balela de editor evitando concorrência e gente que não entendia o mercado. Tanto que mesmo sendo criticados violentamente no Orkut (na época) e em alguns fóruns, outros títulos como Máscara Noturna e Tormenta vendiam 3 mil exemplares cada edição, isso nos assustou positivamente, não esperávamos essa recepção, e até foi engraçado pois o que falaram mal da gente ao invés de afugentar, trouxe mais interessados no material, era engraçado, eu e o Salles torcíamos para aparecer um debate falando mal da gente nesses fóruns e no Orkut pois assim sabíamos que na próxima semana haveria muitos compradores das revistinhas. Com isso consegui montar um estúdio para mim e Salles reinvestiu para imprimir mais revistas, mesmo assim continuavam nos malhando, tinha gente que até chagava ao ridículo de dizer que “inventávamos” as vendas para chamar a atenção, mas nossa distribuição era forte e fizemos uma geração de leitores conhecer uma material bacana e uma geração de artistas publicar pela primeira vez!

3 – Para fechar esse assunto. Se as histórias eram boas e, consequentemente, adoradas pelo público, qual a razão da não continuação do personagem?

Duas razões, mesmo com o sucesso de alguns títulos eu e Salles, principalmente, estávamos ficando cheios de tanta gente metendo e malhando a gente sem razão, infelizmente os quadrinhos tem esse lado obscuro e virulento, rolava muita inveja por que onde conseguimos sucesso, alguns que  haviam trilhado o mesmo caminho e não conseguiram nos atacavam também, e por outro lado Salles escolheu por outra filosofia de vida em que sua visão do Máscara Noturna violento e assassino já não cabia mais em sua visão de vida, assim infelizmente e contra meus pedidos a revista fechou seu ciclo, não concordei mas respeitei a decisão, assim continuamos trabalhando em nossos outros títulos. Os leitores sentiram bastante.

Veredicto e Monster

4 – De onde surgiu o insight para criar o “Veredicto”?  Aproveite e nos conte um pouco sobre sua origem e poderes.

Após algum tempo sem roteirizar e revendo alguns projetos eu ainda queria criar um personagem de aventura que trouxesse um conceito novo, após assistir a uma aula sobre física quântica tive esse “Insight”. É um conceito bem interessante mas um pouco longo, então convido os leitores a conhecer o personagem e sua origem em seu blog oficial: Veredicto quadrinhos.

No momento estou fechando um arcos de histórias para oferecer pelo Social Comics.

5 – Continuando com seus personagens. Nos conte tudo sobre como foi criar o “Tormenta”

O Tormenta é pura aventura e diversão em contraponto com o Máscara Noturna, eu sentia falta de um personagem despojado e nos moldes dos heróis dos anos 70. Amante de nostalgia, Salles de cara se apaixonou pelo personagem e me convidou para criar sua revista. Lançamos 8 números e é muito querido ainda pelos leitores que me cobram até hoje para lançar novas aventuras! E a Alameda da Saudade que é uma série que me deu muita alegria ter feito e os leitores também adoraram, sendo indicado ao HQ Mix!

6 – Você tem mais personagens? Ou pensa em criar?

Estou trabalhando numa série para tiras com a personagem “Eldora”, é meu principal projeto para os próximos anos!

7 – A internet é um campo complicado, existem muitos “haters” de conteúdo nacional por ai. Você sofre muito com eles?

Na verdade, depois de anos no ramo você se estrutura melhor e entende o jogo, por exemplo, geralmente ataques gratuitos e mais violentos vêm de gente que geralmente é perfil fake, estes eu, como outros colegas, nem perdemos tempo discutindo, porque é gente que não possui embasamento e nem conhecimento do mercado, então não fazem uma crítica construtiva, apenas atacam o que não entendem. Quanto a haters ocasionais eu costumo desmontar com seus próprios argumentos, se perguntar sobre como funciona o mercado, se já produziu algo de quadrinhos na vida, se sabe como funciona a criação de uma HQ, provavelmente não saberão, então pergunto como você quer criticar algo que você não conhece e nem sabe como funciona?

8 – Sabemos que fazer quadrinho não é fácil, e ser dono de uma editora?

Bem pelo que descrevi nas outras questões você já viu que editar quadrinhos não é nenhum mar de rosas, mas se você ama o que faz tudo se torna mais fácil, hoje como Co-Editor da Universo Editora buscamos uma parceria mais próxima com os artistas e meios para atender a um público que cada vez mais procura autores e quadrinhos fora do esquema das grandes editoras.

9 – Aproveitando que você é um grande pesquisador do cenário nacional, vamos fazer um jogo rápido.

Personagens preferidos?
Puxa vida, vamos lá: Monstro de Pântano, Lobo Solitário, Necronauta de Danilo Beyruth, Grimório de Rom Freire, Lorde Kramus de Gil Mendes e  claro: Veredicto, Tormenta e Eldora! (risos)

Melhor história em quadrinho que você leu? A Obra em Quadrinhos de Lourenço Mutarelli, América Gótica do Monstro do Pântano e A Saga do Lobo Solitário, essas são obras que com certeza marcaram minha vida.

Roteirista preferido? Will Eisner, Alan Moore, Liniers, Marcelo Lélis e Gil Mendes.

Desenhista preferido? Jack Kirby, Watson Portela, Mauricio de Sousa, Bill Watterson e Antonio Amaral.

Quebra-Queixo

10 – O que o Ed Oliver com toda experiência que adquiriu ao longo dos anos diria para o Ed Oliver do passado?

Cara, parabéns, nesse caminho de pedras você fez algumas coisas muito boas! (risos).

11 – Para finalizar. O que o Ed gosta de fazer quando não está trabalhando com quadrinhos?

Sou um cara caseiro, gosto muito de curtir meus cachorros e ler!

12 – Pode deixar todos os seus sites e redes sociais para que o leitor possa saber mais sobre você e adquirir suas histórias.

Quem quizer me adicionar em meu facebook e conhecer nossos espaços fiquem à vontade!

Facebook | Universo EditoraPortal dos Quadrinhos

Ed, o HQ’s com Café agradece o tempo concedido. Desejamos sucesso nessa sua caminhada, e se você quiser falar alguma coisa, essa é sua hora.

Agradeço a todos que vêm acompanhando minha trajetória aos leitores e colegas profissionais dos quadrinhos , liberdade, Igualdade e Fraternidade a todos!

Leia outras Entrevistas.

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Henry Braga

Assisto preferencialmente o que não está na moda, gosto de livros, quadrinhos, séries e filmes. Também sei admirar DC e Marvel (sim, é possível), ainda tenho meu Super Nintendo. Seinfeld, Anos Incríveis e Watchmen são algumas de minhas preferências.

  • Vinicius Oliveira

    Parabéns pela bela entrevista com Ed Oliver, um profissional que há anos vêm batalhando pela HQ brasileira dando importantes contribuições, importante lembrar que o autor foi um dos pioneiros dos quadrinhos conhecidos como Hq´s Poético-Filosóficas.

    • HQ’s com Café

      Obrigado, estamos sempre procurando bons valores do quadrinho nacional para expor aqui. Grande abraço.

  • Marly Naur

    É triste perceber como uma editora da importância da Júpiter 2 e esse pessoal que abriu portas a tanta gente não recebeu mais atenção. Acompanho já há algum tempo o trabalho de Ed Oliver e o que mais gostei foi Alameda da Saudade, grande autor!

  • Marco Montanaro

    Grande entrevista! O site tem se destacado pelas excelentes entrevistas e esta com Ed Oliver é muito legal pois mostra muito dos bastidores da produção de quadrinhos no brasil além de fazer justiça a este batalhador artistas dos quadrinhos! Parabéns à henry Braga e equipe!

    • HQ’s com Café

      Marco, obrigado pelo carinho.

      Grande abraço.