Descalços no Parque mostra o fastlove

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O que um filme de 1967 poderia nos ensinar sobre relacionamento?

Várias coisas.

No longa temos Paul (Robert Redford) e Corie (Jane Fonda). Eles são recém-casados, estão em lua de mel. Os primeiros dias eles passam em um hotel, nem para pegar o jornal na porta eles saem, tudo vai muito bem.

Mas como diria Rocky Balboa: “o mundo não é um grande arco-íris“. A lua de mel acaba, com ela, um pouco do amor também.

O luxuoso hotel Plaza sai de cena, entra no jogo um apartamento pequeno, com vizinhos estranhos e no último andar de um prédio. Paul era um advogado, mas ainda não ganhava bem. Então, nesse cenário de falta de dinheiro e de apartamento precário entram duas opções: ou o amor aumenta, ou se esvai.

Nessa caso, ficamos com a segunda opção. Nem uma semana se passou e as brigas já eram insustentáveis. Então o “inevitável” aconteceu, eles resolveram se separar.

Ou melhor, ela.

Sabe qual o motivo? Corie não achava que seu marido fosse legal, afinal, ele não quis andar descalço com ela em um dia que fazia -8º C, ele também não quis comer uma comida que não estava afim.

Então faremos o que?

Divórcio, óbvio.

O filme é de 67, mas vamos trazer esse contexto para 2017. Segundo a “Agência do Brasil“, na última década, tivemos um crescimento de 160% nos índices de divórcio.

“Nas últimas três décadas (de 1984 a 2014), o número de divórcios cresceu de 30,8 mil para 341,1 mil”. – Fonte: Agência do Brasil

É nessa ferida que quero tocar. Os romances rápidos. Enquanto me convém, estou com você, se me irritar, dou o fora.

Existem pessoas que casam várias vezes. Namoros que duram semanas. Amor que não é construído. Na moda do fastfood incorporamos o fastlove, tudo é instantâneo. O primeiro problema aparece e pronto, um para cada lado.

Acabou o planejamento a longo prazo. Tudo é baseado no imediatismo, e aqui entra o principal vilão desse “fastlove”: o consumismo. Tudo é consumido com uma velocidade alarmante, trocamos de celular como trocamos de roupa, queremos sempre ter o melhor tênis, a melhor calça.

Nessa onda de consumismo entrou o amor, lógico, se eu pago R$ 4.000,00 em um celular e no lançamento seguinte eu já troco ele, trocar de pessoa então…

É oficial, não tem mais volta, nós fracassamos como humanidade. A quantidade de gente ruim está se tornando maior do que a de gente boa, a corrupção predominou, sua vida não vale nada, pessoas matam por causa de uma bicicleta.

Mas se tudo é descartável, se a podridão está dominando o mundo, qual a razão de não dividir as alegrias e tristezas com alguém?

Qual a razão de não se cultivar o amor? Qual a razão de não se lutar por ele? Qual a razão disso tudo? Qual? Qual? Qual?

Não deixe de conferir.

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