5 excelentes livros para quem não conhece Charles Bukowski

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Meu hábito de leitura começou por causa do velho safado. Com o tempo fui procurando outros amores. Mas é bom relembrar o escritor que me fez aventurar por esse universo incrível da leitura.

Henry Charles Bukowski Jr. (16/08/1920 — 09/03/1994) foi um escritor que encantou gerações com suas obras “amadoras”. Quando digo amadoras, não digo para denegrir esse maravilhoso escritor (afinal, eu admiro o velho Buk). Mas quero dizer que sua escrita fala de maneira bem coloquial, sem rodeios, com palavrões, jogos de azar, muito álcool e prostituição.

Bukowki escrevia seus romances através do alter-ego Henry Chinaski. E foi através de Chinaski que mergulhei no mundo de leitura.

Hoje vou apresentar 5 livros (todos conhecidos para você que sabe quem é Bukowski) para quem ainda NÃO teve o prazer de conhecer o velho safado. Delicie-se.

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“Esta é uma obra de ficção, dedicada a ninguém”. É assim que começo a apresentação do primeiro livro da lista de Bukowski. Essa “dedicatória a ninguém” é do livro Cartas na Rua.

Livro esse que Bukowski faz apresentação do seu alter-ego Henry Chinaski, conta suas experiências em sua mais de uma década de trabalho nos correios. Livro de fácil leitura, com bastante melancolia e ironia. Livro recomendado para quem não gosta muito de seu trabalho.

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Depois de conhecermos Henry Chinaski, poderíamos citar Misto-Quente, onde Bukowski fala sobre sua infância e juventude, mas não. Vamos direto para Factótum.

Segunda Guerra Mundial e Chinaski é declarado inapto para o serviço militar, o que resta é caminha por Los Angeles procurando empregos. Factótum é uma obra focada nos defeitos. Prostituição, alcoolismo, vagabundagem, jogos de azar… tudo que um ser humano pode fazer de ruim é descrito de forma brilhante nessa obra.

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“Tinha algo errado comigo: eu pensava demais em sexo. Cada mulher que eu via, logo imaginava na cama do meu lado. Era um jeito interessante de matar o tempo num aeroporto. Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito de elas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura”. – Charles Bukowki.

Esse trecho é do livro “Mulheres“, publicado no ano de 1978, Henry Chinaski tinha finalmente conquistado um pouco de fama, agora ele poderia vagar até de madrugada atrás de sexo, bebidas e jogos de azar.

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Vamos esquecer Henry Chinaski, e vamos partir para uma obra não “tão boa” quanto as já citadas. Vamos falar de Pulp.

Nick Belane é um detetive de quinta categoria em Los Angeles, ele deixa de pagar o aluguel, vive bebendo e fumando, além de ser um apostador em corridas de cavalos. (É uma espécie de Chinaski detetive)

Pulp é a história mais nonsense de Bukowski. Personagens como “Dona Morte“, “Pardal Vermelho” e a alienígena “Jeannie Nitro” trafegam pela obra, o velho safado pincela algumas partes de sua biografia, mas usa em mais de 90% do tempo sua imaginação fértil para nos contar um livro focado obsessivamente na palavra morte.

Seria esse um sinal de que Bukowski estava partindo do nosso meio? Afinal, ele faleceu poucos meses após a conclusão do livro.

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Vamos lá, você começou ler Bukowski, gostou, e agora quer mais. Então fique com “O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio“. Esse livro de título gigantesco é um diário de agosto de 1991 até fevereiro de 1993, onde Charles Bukowski conta em parágrafos totalmente desconexos algumas passagens de sua vida.

“Deveria cortar minhas unhas dos pés. Meus pés estão me machucando há umas duas semanas. Sei que são as unhas dos pés, mas não consigo achar tempo para corta-lás. Estou sempre atrasado, não tenho tempo para nada. Claro, se eu pudesse ficar longe do hipódromo teria tempo de sobra. Mas toda a minha vida tem sido uma questão de lutar por uma simples hora para fazer o que eu quero fazer. Tem sempre alguma coisa atrapalhando minha chegada a mim mesmo”.

Excelente leitura, para quem, assim como eu, acha o velho 80, não 8.

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