HQ’s Entrevista | Dilma Machado

0 Flares 0 Flares ×

Tradutora de dublagem, dubladora, cantora, escritora, tradutora de livros, professora de inglês… o currículo de Dilma é interminável. Com mais de 21 anos de carreira ela trabalhou em mais de 500 programas, dentre os quais podemos destacar: Game of Thrones, Ponte dos EspiõesDesperate Housewives, Meninas Super-Poderosas… bom, “achei” que dava para destacar alguns programas, mas são muitos, então é melhor você ler a entrevista e descobrir tudo sobre essa talentosíssima artista.

1 – Quem é Dilma Machado?

Tradutora, dubladora, cantora, escritora, professora de inglês e de tradução para dublagem. Especialista em tradução inglês/português na PUC-RJ onde ministra o curso de extensão: “Técnica de Tradução para dublagem” desde 2010 e inicia em 2018 como professora do módulo “Tradução para dublagem” no curso de Especialização em Tradução da Universidade Estácio de Sá. Palestrante em vários congressos internacionais, tais como: Media for All em Londres e Dubrovnik, Encuentro Latinoamericano de Traducción Audiovisual (Cholula –México) e também em Lima, Cidade do México, Trujillo, Puebla. Palestrante em congressos nacionais como: Abrates e Proz. Dedica-se há 22 anos aos serviços de tradução e dublagem para as empresas: Alcatéia, Cinevídeo, Centauro, Delart, Doublesound, Deluxe, Som de Vera Cruz. Já prestou serviços para várias outras empresas como: Beck Studios, Drei Marc, Herbert Richers, Dublamix, The Kitchen, Bravo, SPTelefilm e MG Estúdios. Tradutora de livros para Ed. Rocco e Ed. Fundamento. Associada da ABRATES E APTRAD. Acaba de lançar o livro A Tradução para Dublagem Brasileira – Teoria e Prática.

2 – O quão essencial é o tradutor de dublagem ser dublador?

Ser dublador ajuda muito a entender o processo da tradução para dublagem com mais clareza, mas não é uma obrigatoriedade. No entanto, sempre recomendo que, no mínimo, o tradutor marque com a empresa para a qual traduz de ver seu trabalho no estúdio.

3 – Dilma. Qual a razão da legendagem e da dublagem serem diferentes?

Por duas questões muito simples: O tradutor de dublagem geralmente não é o mesmo da legendagem. São empresas diferentes. Na dublagem trabalhamos com o Word e na legendagem com um software (O mais conhecido e usado por ser grátis é o subtitle workshop). Atualmente, algumas empresas estão começando a usar um mesmo tradutor para exercer as duas funções. Eu faço isso, mas apenas com filmes para cinema.

4 – Como você enxerga essa “rixa” entre os fãs do dublado e do legendado?

Enxergo como uma questão de cultura. Os países: França, Itália, Alemanha e Espanha, dublam tudo e agora estão começando a inserir a legendagem em suas produções. No Brasil, as legendas surgiram com a criação dos canais fechados. Antes disso tudo era dublado na TV e somente os filmes no cinema eram legendados. Com exceção dos desenhos que sempre foram dublados em todos os idiomas e até hoje é assim. Agora, com a necessidade de atingir um público maior, bem dizer tudo está sendo dublado. Somos um país com menos de 5% da população falando inglês fluente. Acho que isso basta para entender a necessidade da dublagem. Sem contar com os deficientes visuais, crianças, idosos, semianalfabetos e analfabetos.

5 – Existem algumas séries e filmes que os palavrões são constantes, mas que se perdem na dublagem. Qual o motivo da dublagem “fugir” dos palavrões?

Censura. Nos desenhos são mais rigorosos, embora eu discorde de certas proibições da Disney e Nickelodeon, por exemplo. Não pode usar a palavra morte, tem que ser substituída por destruição. Nossa, Nossa Senhora, Meu Deus, etc, também são proibidos por questões de religião. A não ser que a produção seja bem específica sobre religiões.

6 – Qual tipo de trabalho é o mais difícil de traduzir? Algum filme que não seja em inglês, ou alguma obra em que um personagem fale rápido demais…

Comédias, devido aos trocadilhos, piadas, e muitas falas; filmes de época por terem falas demais e registro mais rebuscado. Documentários, por ter muita pesquisa a ser feita, isso leva tempo. O fato do personagem falar rápido demais não dificulta a tradução, é só uma questão de ter o bom senso de resumir a fala, como em uma legenda.

7 – É verdade que você ajudou escolher alguns nomes para o desenho das Meninas Super-Poderosas?

Sim. Só não escolhi o nome das meninas porque já existiam, mas os outros foram todos criados por mim. Por exemplo, sabe por que a Senhorita Belo, que era dublada por mim, tem esse nome? Porque no original ela se chama miss Bellum, ou Sarah Bellum, que é um trocadilho com Cerebellum. Ela é a cabeça do prefeito que é meio burrinho, né? Daí eu pensar em Sara Belo.

8 – Como foi ser escolhida como responsável para tradução de Game of Thrones?

Não houve escolha. Me disseram que estavam com uma série nova e se eu estava disponível para traduzir. Eu nem sabia que tinha os livros da série. Não somos informados sobre isso. Só soube depois que tinha feito alguns capítulos, e quis trocar alguns termos que tinha escolhido erroneamente, como “a mão do rei” que deixei “conselheiro do rei”, mas existe o broche. Pedi para trocar, mas a HBO disse não. Fiquei muito triste com a ida da série para São Paulo, pois gostava muito de traduzi-la. Afinal, foram 5 anos de dedicação. Mas os colegas de São Paulo estão fazendo tudo muito bem.

9 – Conhecia algo sobre a série? Imaginou que ela faria tanto sucesso?

Como disse anteriormente, não sabia que existiam os livros, mas adorei a série logo no primeiro episódio, e para mim era uma honra poder ver tudo antes do público. E também tinha o desafio de traduzi-la, pois não é uma série fácil. Não imaginava mesmo que faria tanto sucesso, fico super feliz por ter feito parte dessa obra como tradutora e como dubladora “flash”, pois fiz a bruxa logo na primeira cena da 5 temporada.

10 – O que você achou da troca de dubladores no meio da série?

É ruim para os fãs que já estavam acostumados com a voz de cada personagem… mas o trabalho está excelente .

11 – Qual foi o trabalho que você mais gostou de fazer? E o de maior importância?

Recebi vários trabalhos que adorei fazer, como as séries: Histeria, Desperate Housewives, George o curioso, e alguns filmes para cinema. Para mim o de maior importância foi GoT, como série, e Ponte dos Espiões, cinema. Mas nesses 21 anos de trabalho tenho mais de 500 títulos traduzidos entre filmes, desenhos, séries, documentários, e todos foram desafios.

12 – Deixe seus contatos para quem quiser saber um pouco mais sobre você e sobre seu curso.

Para falar comigo: dilma.dilmica@gmail.com

Para comprar o livro que lancei este ano: https://dilmadilmica.wixsite.com/dilmamachado

Leia outras entrevistas.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×