Opinião com Café | O Sol é Para Todos

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Recentemente assisti “O Sol é Para Todos”. Um filme com uma lição de moral espetacular. Pensei muito se deveria escrever algo sobre o mesmo, mas ao assistir a season finale de Better Call Saul, vi que Kim citou o longa. Pois bem, não tinha mais condições de não deixar uma Opinião com Café sobre o mesmo.

O longa conta a história de Atticus Finch (Gregory Peck), advogado, viúvo, pai de dois filhos. Atticus faz o possível e o impossível para passar a melhor educação para Jem Finch (Phillip Alford) e Louise Finch (Mary Badham). E quando digo “passar a melhor educação”, digo com palavras e com atos.

O longa faz essa mini-introdução sobre o comportamento de Atticus Finch com sua família e vizinhos em geral. Quando já temos noção sobre o quão bom é o senhor Finch, o juiz Taylor (Paul Fix) aparece e lhe dá uma missão. Cuidar de Tom Robinson (Brock Peters), um jovem negro, pobre, acusado de estuprar Mayella Violet Ewell (Collin Wilcox), uma jovem branca.

O ano em que o longa se passa é o de 1932. Naquela época o racismo era bem maior que os dos dias atuais. Atticus sabia de todos “os problemas” que essa defesa o causaria, mas como disse no começo, o advogado mostra sua boa educação não só com palavras, mas com os atos também. Ele não se deixa levar pelo tom da pele de Robinson e com unhas e dentes defende o jovem rapaz.

“Srta. Jean Louise. levante-se. Seu pai está passando”. – Reverend Sykes.

Antes mesmo do julgamento as represálias pela população branca da cidade já são visíveis, só que isso não é motivo para fazê-lo esmorecer (atitude é tudo na vida).

O filme dirigido por Robert Mulligan fez do vilão Bob Ewell (James Anderson), um personagem com uma pitadinha de exageros. Bob aparece bêbado em cena, é agressivo, ignorante e mal educado. Só que James Anderson tem uma atuação muito boa. Nós sentimos ódio do personagem que ele encarna e, sim, torcemos para sua derrocada.

Mayella é a donzela que possivelmente foi estuprada. Sua atuação é mais discreta do que as dos personagens com maior tempo em tela. Mas sua personagem é interessante. Ela demonstra sinais de inocência em alguns momentos, em outros, uma mistura de medo e demência.

Robinson tem sua atuação no mesmo nível da de Mayella, ele também não tem tanto tempo em tela, mas vemos o ar de desespero em seu olhar ao ser acusado pela moça. Novamente, atente para descrição: um jovem negro, pobre, acusado de estuprar uma jovem branca. Hoje em dia ele já sofreria graves acusações, imagine na década de 30.

Jem Finch Louise Finch mostram a pureza da infância. Com brincadeiras infantis, história mirabolantes e um amor exacerbado pelo pai, os dois mantém a história em alto nível.

Mas, voltando ao Atticus, ele se destaca. O advogado é um sujeito completamente sereno. Parece que nada o abala. Sempre com um ar fidalgo ele passa os melhores conselhos para seus filhos e, consequentemente, ao telespectador. Sua atuação é linda. E sim, vamos parafrasear Kim Wexler“nós adoramos Atticus Finch”. 

Lógico que nem tudo são flores no longa. A trilha sonora é um mais do mesmo. Aquele negócio de colocar um toque melodramático para apresentar algo, e subir o tom para os momentos de suspense. Outro mais do mesmo foi usar o período noturno para gravar as cenas de suspense.

Mas o que mais chama atenção é o primeiríssimo plano da trama. Ele é muito ruim. Principalmente no tribunal. Quando a câmera se aproxima da acusadora nós notamos um certo amadorismo na filmagem.

Sim, não tínhamos a tecnologia de hoje naquela época, mas a cena destoa de todo resto. Para finalizar, temos uma cena de “ação final”. A resolução dela é simples demais. “Pa, puff, resolveu”.

O Sol é Para Todos mostra a década de 30, mas se você assistir o longa verá pitadas dos dias atuais. O negro sempre é suspeito, a sociedade é hipócrita e fala que não é. Só que ainda bem que vez ou outra surge um Atticus, ele mostra que o verdadeiro valor do ser humano não está na sua cor de pele ou quanto ele tem no banco.

Nota 9.5

Dados Técnicos.

O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird).

Filme com 2 horas e 09 minutos de duração – 1962.
Direção: Robert Mulligan
Elenco: Gregory Peck, Mary Badham, Phillip Alford…

Sinopse: Jean Louise Finch (Mary Badham) recorda que em 1932, quando tinha seis anos, Macomb, no Alabama, já era um lugarejo velho. Nesta época Tom Robinson (Brock Peters), um jovem negro, foi acusado de estuprar Mayella Violet Ewell (Collin Wilcox Paxton), uma jovem branca. Seu pai, Atticus Finch (Gregory Peck), um advogado extremamente íntegro, concordou em defendê-lo e, apesar de boa parte da cidade ser contra sua posição, ele decidiu ir adiante e fazer de tudo para absolver o réu.

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Henry Braga

Assisto preferencialmente o que não está na moda, gosto de livros, quadrinhos, séries e filmes. Também sei admirar DC e Marvel (sim, é possível), ainda tenho meu Super Nintendo. Seinfeld, Anos Incríveis e Watchmen são algumas de minhas preferências.