Opinião com Café | Um Homem Chamado Ove

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Você assistiria um filme sueco que tem como nome “Um Homem Chamado Ove”? Eu sei, isso não é das coisas mais chamativas do mundo.

Mas vamos lá. Ove, interpretado por Rolf Lassgård, é um senhor extremamente ranzinza. Ele não gosta de conversar com as pessoas e, em praticamente todos os momentos, ele é sem educação com quem se aproxima.

Ove é o típico sujeito que acha que está certo em tudo. Não respeita opiniões contrárias e não gosta de sair do “seu mundinho”. Mas algo de contraditório coexiste em seu ser. Ele exala o mau humor, transmite um olhar de raiva gigantesco, e só não é mais paranoico porque não tem espaço. Só que a contradição vem no exato momento em que alguém precisa de algum favor. Ele resmunga, faz cara feia, mas no final é solicito com praticamente todos que o procuram.

No primeiro momento nós sentimos repulsa ao ver suas atitudes. Com o desenrolar da trama vamos entendendo suas “motivações”. Ove é um cara marcado pelas tragédias. Sua vida não foi fácil, todo tipo de decepção o cerca desde pequeno.

Como não poderia deixar de ser, ele é o personagem com mais tempo em tela. Depois temos Parvaneh (Bahar Pars), ela acabou de se mudar, é casada, mãe de dois filhos. Sua personagem é engraçada em alguns momentos. Em outros, impertinente.

Ela se mantém firme e forte aguentando a chatice de Ove. Coisa até “compreensível”, afinal, ela necessita da ajuda do senhor em muitos momentos.

O filme segue mostrando as tragédias e malcriações do personagem principal. Com o desenrolar da trama vemos uma boa direção de Hannes Holm, uma trilha sonora instrumental que é completamente melancólica nos flashbacks, mas ao voltarmos para “vida real” a trilha instrumental se mostra rápida e aconchegante.

A fotografia utiliza do tempo nublado em alguns momentos para dar um toque acinzentado no cenário. Quando Sonja (Ida Engvoll), sua falecida esposa aparece, temos um tom meio amarelado, mostrando que ela ainda está viva, pelo menos em sua memória.

Infelizmente contamos com alguns furos de roteiro, uma das histórias é totalmente desnecessária, mal-contada e mal-finalizada. A maquiagem de Rolf Lassgård é desleixada em alguns momentos. Mas temos uma atuação bem segura, sem oscilações, assim como o restante dos personagens. Aliás, gostei da simpatia de Bahar Pars.

Ove é complicado. Não só o personagem, mas o filme em si. Ele é triste, melancólico e, em alguns momentos, cruel. Porém, no meio de todas as decepções, existem algumas pinceladas de felicidade. Momentos que mostram que Ove é só um cara que não aguentou a crueldade do mundo. Ele se fechou, parou de viver o presente e se apegou na felicidade de um momento que passou. Ove ficou só, desejou a morte, chorou, sorriu, foi arrogante em alguns momentos, e com todas as suas imperfeições ele deixou pouquíssimos inimigos, seu jeito “ranzinza amoroso” conquistou muita gente, inclusive eu.

Nota 9. 

Dados Técnicos.

Um Homem Chamado Ove (En Man Som Heter Ove).

Filme lançando em 2017 (no Brasil).
Contém 1 hora e 56 minutos de duração.
Direção: Hannes Holm.
Elenco: Rolf Lassgård, Bahar Pars, Ida Engvoll…
Nacionalidade: Suécia

Sinopse: Ove é um senhor mal-humorado de 59 anos que leva uma vida totalmente amargurada. Aposentado, ele se divide entre sua rotina monótona e as visitas que faz ao túmulo de sua falecida esposa. Mas, quando ele finalmente se entregou às tendências suicidas e desistiu de viver, novos vizinhos se mudam para a casa da frente, e uma amizade inesperada irá surgir.

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Henry Braga

Assisto preferencialmente o que não está na moda, gosto de livros, quadrinhos, séries e filmes. Também sei admirar DC e Marvel (sim, é possível), ainda tenho meu Super Nintendo. Seinfeld, Anos Incríveis e Watchmen são algumas de minhas preferências.