HQ’s Entrevista | Angélica Santos

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Você sabe quem é Angélica Santos?

Talvez não, mas você já deve ter ouvido a voz dela por ai. A artista empresta sua voz para personagens como: Cebolinha, Kevin Arnold (Anos Incríveis), Drew Barrymore (Para Sempre Cinderela – 1998 | Nunca Fui Beijada – 1999 | Meu encontro com Drew Barrymore – 2006 | dentre outros filmes e, também, na série “Santa Clarita Diet”), Oolong em Dragon Ball… e diversos outros personagens.

O HQ’s com Café teve a honra de poder trocar algumas palavrinhas com ela. A entrevista ficou tão legal que iremos disponibilizar ela em dois formatos, mas eu acho bem melhor escutar na íntegra.

Ao lado de cada questão irei deixar o tempo da pergunta, assim fica mais fácil sua localização.

0:15 | 1 – Angélica, como você começou sua carreira de dubladora?

Eu era adolescente e fui fazer um teste para fazer a Mônica, do Maurício de Sousa. Passei no teste, meses depois eu fiz teste para fazer a voz da Magali, mas o Maurício ouviu e disse que eu era o Cebolinha (risos). Eu levei um susto, era um menino, como eu iria fazer? O primeiro que eu gravei foi uma peça de teatro, ficou meio esquisitinho (risos). Depois eu fui vendo como que menino falava e percebi que tinha uma diferença, e fui pegando a manha. Aliás, comecei dublar o Cebolinha menino, e as dublagens depois do Cebolinha foram todas de meninos. Até eu começar fazer mocinha e mulheres. Minha carreira eu comecei fazendo voz de menino.

1:15 | 2 – As pessoas te reconhecem pela voz?

Já passei algumas situações. Uma vez fui em uma farmácia, o cara ao me atender falou: “Você é dubladora, né?”.

Uma vez em uma loja gamer eu só falei “oi, tudo bem?”, o cara: “Ah, você é dubladora!” Eu levei um susto, porque só com um “oi” o cara me reconheceu.

Uma vez ao comprar uma mala uma moça falou que me conhecia, perguntou se eu era cantora, se trabalhava na globo, se era locutora, até que ela falou que eu era dubladora (risos), ai ela acertou.

Em uma lanchonete uma pessoa ficou dando tchau, eu olhava para trás e me perguntava para quem ela estava dando tchau. Quando fui comprar o que eu queria ela falou: “Você é Angélica Santos! Me dá um autógrafo?” E tinha gente do lado que ficou olhando e perguntando quem é essa mulher? (risos) Coisas que acontecem.

2:45 | 3 – Qual a maior dificuldade da sua profissão?

Tem a financeira, que você tem que entender que o dublador não é registrado, não é contratado, não é nada. Então se o dono do estúdio não quiser, você não vai, mas se você não quiser trabalhar, você não trabalha. Você pode fazer seu dia. Mas você não sabe quanto você vai ganhar no mês. Então você não pode comprar nada a prazo, é complicado. A não ser que você se organize muito. Outra dificuldade é a de hoje em dia. Muitos distribuidores acham que qualquer um pode fazer. Por isso a qualidade da dublagem em algumas emissoras de TV a cabo são péssimas. Ou até umas que passam na TV aberta são horríveis. Acho que falta cobrar qualidade. E a própria população, algumas pessoas falam muito mal, mas elas não sabem se a dublagem foi feita em Miami, Campinas ou Belo Horizonte, que infelizmente é muito ruim ainda. Talvez mais para frente possa vir a ser boa, mas no momento ela é muito ruim, as vezes tem lugares desses que trabalham com não profissionais. Então é complicado isso. Infelizmente a qualidade está caindo demais. Está entrando muita gente no mercado e eu vejo uma dificuldade ai, porque muita gente que está entrando e poderia ser treinada, porque é boa, acaba se perdendo, porque está entrando tanta gente que não dá a possibilidade para os que entraram de treinar. Na verdade não é qualquer um que faz. Infelizmente eu vejo um futuro até um pouco preocupante para nós dubladores que vivemos disso e nos aperfeiçoamos. Cada vez mais estão surgindo polos onde o profissionalismo é zero, isso é muito ruim.

4:43 | 4 – O que você mais gosta de dublar? E qual personagem você mais gostou de fazer?

Eu adoro dublar tudo (risos), adoro filme romântico, comédia (me divirto demais) e adoro dublar os personagens que já dublo. O Cebolinha que é minha paixão. Tem uma série que estou fazendo agora “Santa Clarita Diet” na qual eu dublo a Drew Barrymore, estou amando fazer. Tem a Crazy Ex-Girlfriend que é um musical no qual eu amo fazer. Eu gosto da dublagem em si. Eu gosto de dublar (risos). Ah, eu gostei de fazer o Kevin, de Anos Incríveis, que é uma série bem famosa e todo mundo fala dele. Mas a minha paixão é o Cebolinha.

5:41 | 5 – Tem algo em especial que você não gosta?

Eu gosto de fazer tudo, quando estou cansada e pego filmes de pessoas que não são atores, da Discovery ou National, é um pouco cansativo. Mas é um desafio, e como eu gosto de ser desafiada, eu gosto. Mas quando estou cansada é um pouco complicado (risos).

6:06 | 6 – Você já trabalhou com animes, séries e filmes, qual deles é mais difícil? 

É uma pergunta complicada (risos), tudo depende da língua, de onde vem. Exemplo: animes vem do Japão, então a sincronia não é tão boa, isso me deixa um pouco preocupada, eu gosto de fazer muito certinho. Não vejo dificuldades em séries e filmes, mas depende da língua. Se você vai fazer em espanhol, você tem que fazer perfeitamente o “sincro” porque tem palavras que batem com o português. Eu já dublei uma novela portuguesa, nossa, é muito difícil, você tem que bater tudo, porque a portuguesa você tá falando português e de repente vem uma palavra que não tem nada a ver. Tem que ser muito perfeito.

6:58 | 7 – Lógico que precisamos falar de Anos Incríveis. Como te escolheram para dublar o Kevin?

Eles estavam fazendo testes com crianças, só que tinham pouquíssimas crianças que dublavam. E tinha um menininho que até foi ser ator da Globo depois, que era muito bonitinho, ele fez o teste e pegou. Só que ele precisava ter uma certa rapidez e ele estava começando, então era meio devagar e tinha prazo de entrega, enfim, ele acabou indo fazer novela e não tinha mais tempo, e com essa história de prazo foi complicando. Resolveram trocar, eu fiz o teste, só que para TV Cultura, onde passou, não foi falado que eu era uma mulher. Eu fiz um teste falando “GG” e passei (risos), como seu eu fosse um menino, vamos dizer assim.

Então eu comecei fazer o Kevin, só que ele tinha 12 anos na época e ninguém da Cultura sabia que eu era uma mulher. Pensavam que era realmente uma criança fazendo e eu fui fazendo… de repente ele veio com 14 ou 15 anos, mais adolescente, e o pessoal da Cultura foi na Álamo para dizer que a voz do menino talvez não ficasse boa nessa nova fase, que talvez tivesse que fazer teste. Pra Cultura eu era um menino de 12 anos. Só que quando eles foram na Álamo para falar sobre essa mudança de voz, eles me pegaram dublando. Eu estava dublando, quando olhei na técnica tinha um monte de gente, o diretor estava roxo. Tinha um monte de gente rindo. Eles entraram, olharam para mim e falaram assim: “Você enganou a gente”. Eu comecei rir, percebi que era o pessoal da Cultura.

Quando tinha entrevista eu não podia ir. Porque era uma “mentira”, ou melhor, uma omissão (risos). Eu falei “GG” e eles acharam que era um menino (risos). Só sei que eles olharam para mim e disseram que conversaram e que se eu tinha enganado eles até aquele momento, eu também conseguiria enganar mais para frente. Então continuei fazendo e foi até acabar a série, aos 18 anos. As vezes eu saia do estúdio com um vozeirão (risos).

9:43 | 8 – Kevin começa a série com 12 anos e termina ela entrando na fase adulta. Você não teve medo que o personagem ficasse com uma “voz afeminada”?

Eu tinha medo sim, porque ele ficou com 18 anos, a sorte é que o Kevin tinha uma cara de menino, então acho que foi isso que enganou todo mundo, até mim mesmo (risos).

10:07 | 9 – Você se recorda de algo em especial da série? Algum episódio?

Eu recordo de muita coisa, mas tem um episódio que chorei muito, que foi daquele professor que morreu e até hoje quando eu lembro eu tenho vontade de chorar. E eu gostava demais das músicas da série, eu era completamente apaixonada pela trilha sonora. Essa série foi tudo de bom.

Chegamos ao fim de mais uma entrevista, gostaria de agradecer a Angélica, ela foi uma das pessoas mais simpáticas com quem eu já conversei. Foi incrível poder falar com ela 🙂 Se você deseja acompanhar o trabalho da artista acesse o Facebook: Angélica Santos.

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