Opinião com Café | O Aluno (Uma Lição de Vida)

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Filme de 2010 com 1 hora e 44 minutos de duração.

Sinopse: Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Kimani Maruge (Oliver Litondo), um queniano de 84 anos que está determinado a aproveitar sua última chance de ir à escola. Desta forma, para aprender a ler e escrever, ele terá que se juntar a crianças de seis anos de idade.

Opinião com Café.

Bem, não espere uma crítica técnica no texto de hoje, mas espere um texto para lhe fazer pensar… E sim, hoje teremos muitos spoilers.

Antes de começarmos é bom saber que a “Revolta dos Mau-Mau” foi movimento que ocorreu no Quênia contra os colonizadores britânicos (1952). Os “mau-mau” lutavam por melhores condições de vida e por sua liberdade.

A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo – Nelson Mandela.

Você sabe quem é Kimani Maruge?

Kimani Maruge 

Ele se tornou detentor do recorde de pessoa mais velha a entrar em uma escola primária, segundo o Guinness.

Mas vamos direto ao longa… Maruge (Oliver Litondo) tem 84 anos, mora no Quênia e lutou contra a escravidão de seu país. O que ele teve em troca? Anos de tortura física e psicológica e a educação negada. A trama mostra um país em extrema miséria, casas de bambu e chão batido. O cenário que Maruge vive é deprimente. Pessoas sedentas por dinheiro e um pouco de diversão que amenize a dor é o que o longa mostra sutilmente.

Só que a história do filme não é nada sutil, ela é profunda. O governo resolveu fornecer “educação para todos”. Mas essa educação para todos abrangeria apenas as crianças.

Maruge não quis saber, e mesmo passando por diversas negações e provações ele conseguiu acesso à sala de aula. Com o acesso as retaliações vieram. Começando de seus “amigos” (infelizmente, todos sem cultura), eles diziam que o velho era velho demais para aprender. Os pais dos alunos (também não tinham educação) foram contra e utilizaram todos os artifícios possíveis| alguns bem baixos | para que o senhor não pudesse estudar. Sem contar os políticos corruptos que achavam que Maruge e a professora Jane Obinchu (Naomie Harris) estavam lucrando com algum tipo de publicidade.

Uma verdadeira história de filme, mas lembre-se: Maruge existiu.

Nada disso adiantou, com fé, perseverança e ajuda de sua professora, Maruge resistiu bravamente, até que a corda estourou para o lado dela. Exatamente como acontece em qualquer lugar do mundo. Pessoas cegas pelo poder não querem que a educação transforme a realidade do país.

Se formos colocar essa história no Brasil, veremos que é mais fácil você manter classes superlotadas, professores mal pagos e roubar dinheiro da merenda das crianças, do que investir os bilhões arrecadados de impostos na educação, afinal, se eles formarem uma geração de pensadores, quem votará neles?

Por isso vamos continuar dando algum alento para quem é pobre, mas vamos negar conhecimento de qualidade. Vamos colocar mais um feriado, assim todo mundo fica feliz, mas vamos negar conhecimento de qualidade. Vamos trazer algum grande evento para o país, mas vamos negar conhecimento de qualidade…

A história de Maruge é linda e triste. Mas é a vida real. Um pais pobre, sem estrutura e sem a maior base de todas. Pessoas colocando crianças para trabalhar e querendo procriar, procriar, procriar…

Lembre-se que as pessoas podem tirar tudo de você, menos o seu conhecimento.

O filme é muito mais do que uma simples história de um senhor que quis estudar. É uma história de vida, marcada por chibatadas e tragédias. Mas que mostra que mesmo dentre todas as adversidades que a vida lhe impor, nunca é tarde demais para começar…

Em tempo: No ano de 2005 Maruge discursou em um evento das Nações Unidas, em Nova York. Lá ele enfatizou a importância da educação. No ano de 2009 ele faleceu, mas sua história jamais será esquecida.

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Henry Braga

Assisto preferencialmente o que não está na moda, gosto de livros, quadrinhos, séries e filmes. Também sei admirar DC e Marvel (sim, é possível), ainda tenho meu Super Nintendo. Seinfeld, Anos Incríveis e Watchmen são algumas de minhas preferências.