Opinião com Café | A Marca da Maldade

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Filme de 1958 com 1 hora e 35 minutos de duração.

Sinopse: Ao investigar um assassinato, Ramon Miguel Vargas (Charlton Heston), um chefe de polícia mexicano em lua-de-mel em uma pequena cidade da fronteira dos Estados Unidos com o México, entra em choque com Hank Quinlan (Orson Welles), um corrupto detetive americano que utiliza qualquer meio para deter o poder.

Opinião com Café.

Muitas vezes assistimos alguns longas sem esperar muita coisa, “A Marca da Maldade” foi um desses, graças ao vasto catálogo da Netflix resolvi dar o play e adentrar a trama da qual uma investigação de assassinato colocou Vargas (Charlton Heston), um chefe de polícia super reconhecido no México, contra um dos policiais mais adorados da América, Hank Quinlan (Orson Welles).

Estamos falando de uma obra da década de 50, então é obvio que não poderíamos esperar grandes combates corporais ou algum tipo de efeito especial, porém as cenas não são ruins, elas “até passam” se você tiver boa vontade. O grande foco aqui é o comportamento ético e moral que um cidadão pode apresentar, seja ela na vida pessoal ou profissional.

Susie (Janet Leigh)

Mas antes de aprofundar-me no tema quero fazer uma breve análise da trama como um todo. Vargas e seu bigodinho fazem o papel de galã mexicano, sua esposa Susie (Janet Leigh) é a abobada, que me perdoem, só conseguiu demonstrar beleza, pois sua personagem é, sem dúvida alguma, a mais burra do filme.

Quinlan é quem faz a trama ter graça, desde o começo você já odeia (ou ama) o velho policial, seu mau humor exala por todos os poros do corpo, seu personagem só não é melhor porque em vários momentos ele é caricato demais, dando a impressão de ser forçado.

Outro ponto interessante é a fotografia escura, sim, o filme é em preto e branco, mas as tomadas de câmeras sempre priorizam em diminuir a claridade do ambiente, trazendo ainda o contraste de claridade quando certos personagens aparecem. Detalhe, dois terços da trama se passam à noite e a trilha sonora acompanha o nível “maquiavélico” do filme.

O filme é nota 8.5, e vou explicar qual a razão disso com alguns spoilers, então recomendo que pare a leitura nesse momento se você não assistiu ao longa, pois irei discorrer sobre questões de ética que envolvem o policial Quinlan.

Volto frisar, os planos de câmera empregados na trama são bons, a fotografia também. A atuação de seus personagens acompanham um bom ritmo, apesar de ter alguns diálogos auto-explicativos totalmente desnecessários, mas o que lhe fará refletir sobre o filme é Quinlan, o personagem nos mostra como o poder corrompe, e o que um ser-humano é capaz para se manter no topo.

Quinlan é arrogante, manipulador e prepotente, ele usa de diversos meios para ludibriar quem quer que for, e não se importa de se juntar com criminosos (se bem que ele também é um), o policial é o retrato mais humano que um diretor poderia usar, com medo de não cumprir seu serviço ele passa por cima de pessoas, puxa tapetes e, se necessário, comete assassinatos.

Quinlan é um agente da lei que não se importa com ela.
Quinlan é o lobo em pele de cordeiro.
Quinlan é o retrato mais podre do ser humano.

Lembrou de alguma pessoa?

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Henry Braga

Assisto preferencialmente o que não está na moda, gosto de livros, quadrinhos, séries e filmes. Também sei admirar DC e Marvel (sim, é possível), ainda tenho meu Super Nintendo. Seinfeld, Anos Incríveis e Watchmen são algumas de minhas preferências.