Opinião com Café | Ladrões de Bicicletas

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Filme de 1948 com 1 hora e 33 minutos de duração.

Sinopse: Em Roma um trabalhador de origem humilde, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), luta para sustentar a família. Precisando de uma bicicleta para começar em um novo emprego, Ricci penhora as roupas de cama da casa. Para desespero da família, a bicicleta é roubada e Antonio sai junto com o filho Bruno (Enzo Staiola) para procurá-la pela cidade.

Opinião com Café.

Meu escritor favorito é Charles Bukowski, isso deve-se ao simples fato dele contar a realidade da vida, com suas doçuras e amarguras, e sempre que me deparo com alguma obra que faça o mesmo eu logo me fascino, foi assim com os longas Conta Comigo e Entre Nós, e com as séries Anos Incríveis e How I Met Your Mother.

Ladrões de Bicicletas mostra a Itália depois da destruição da segunda guerra mundial, grande parte da população encontrava-se desempregada e qualquer possibilidade de ganhar dinheiro era bem vinda. Ricci (Lamberto Maggioraniera um pai de família que estava lutando contra o desemprego, um belo dia ele conseguiu uma vaga para colar cartazes, a única exigência do patrão era que o rapaz possuísse uma bicicleta para fazer o serviço.

Então Ricci e Maria (Lianella Carell), sua esposa, penhoraram algumas coisas para poder juntar dinheiro e pagar a penhora da bicicleta que já estava penhorada, seria cômico se não fosse trágico, o grande problema foi que logo no primeiro dia de serviço Ricci teve sua bicicleta roubada, agora ele e seu filho Bruno (Enzo Staiola) vão sair pelas ruas para tentar encontrar sua bicicleta.

O mundo é bem cruel quando ele quer ser, em pouco mais de uma hora e meia de trama você irá sentir isso e, certamente, se emocionará, só que a situação não era difícil só na trama, por trás das câmeras também, os atores utilizados eram todos amadores.

A grata surpresa é que mesmo com atores amadores e poucas condições o longa surpreende, Ricci é seguro em seu papel, seu personagem transparece toda aquela melancolia da época, em seus poucos momentos de felicidade ele consegue arrancar um sorriso de quem assiste a trama. Seu filho é outro que emociona, o garoto era apaixonado pela bicicleta que foi roubada e tenta de todas as formas ajudar seu pai, novamente, outra grata surpresa, o menino é fantástico, em muitos momentos ele consegue se expressar sem dizer uma palavra. Os outros atores coadjuvantes mantém o ritmo da trama e não prejudicam o decorrer do longa, mas a grande questão que envolve “Ladrões de Bicicletas” está na pobreza, desemprego, corrupção e tudo o que há de podre no mundo.

Cuidado! Spoilers! 

Vai me dizer que se você tivesse passado o que Ricci passou durante a trama, não iria tomar a mesma decisão que ele tomou ao tentar roubar uma bicicleta? A polícia não o ajudou, sua sorte também não, os vexames passados foram muitos, e, dentro do restaurante, percebendo que poderia dar uma vida digna para sua família o personagem desmoronou, por mais que você diga que não faria o Ricci fez, eu duvido.

Quando o rapaz é pego, seu filho começa a chorar e a trama acaba, nós percebemos que Rocky Balboa tem toda razão: “O mundo não é um mar de rosas, é um lugar sujo, um lugar cruel, que não quer saber o quanto você é durão. Vai botar você de joelhos e você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte como a vida, mas não se trata de bater forte. Se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer“.

Nota 9.

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