Opinião com Café | Meus 533 filhos

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Filme de 2013 com 1 hora e 48 minutos de duração.

Sinopse: David já passou dos 40 anos de idade, mas ainda leva a vida de um jovem inconsequente. Quando ele começa uma complicada relação com a policial Valerie, ela engravida de David. Logo, ele se lembra de seu passado, quando vendia esperma para clínicas de fertilidade. Buscando mais informações sobre essa época, ele descobre que é pai de 533 crianças, e que 142 delas entraram com um processo na justiça para descobrir o pai biológico, registrado com o pseudônimo Starbuck.

Opinião com café.

Em qualquer lugar que você procurar esse filme você vai encontrar ele classificado como comédia, mas de comédia temos pouco, ou quase nada, a realidade é que a trama puxa mais para o lado do drama.

Esse filme é de origem canadense e tem como personagem principal David, um cara que leva uma vida sem responsabilidade e com muito desleixo, trabalha no açougue do seu pai, e para faturar uma grana por fora, vende seu esperma, tudo corria bem até o dia que ele contrai uma dívida de 80 mil dólares com alguns marginais, passado algum tempo ele descobre que sua namorada está grávida, e o que era ruim, piora, a clínica que David vendia esperma vem atrás dele, e comunica que os espermas vendidos geraram 533 filhos, dos quais, 142 queriam conhece-lo, e por isso resolveram abrir um processo em conjunto para descobrir quem é o verdadeiro pai.

A história é legal, Patrick Huard (David) tem uma atuação boa, seu personagem é cativante e seu jogo de cintura nas mais adversas situações é no mínimo interessante, principalmente quando David resolve ir atrás de alguns filhos sem que eles saibam, ele encontra os mais diversos tipos de pessoas (filhos), jogador de futebol, músico, ator, gay, viciado, deficiente, dentre outras figuras, e isso acaba gerando os mais inusitados diálogos… e não se preocupe, o filme não mostra os 533 filhos, se não teríamos umas 10 horas de filme.

Como você já pôde perceber, a abordagem principal do filme é sobre a questão da paternidade, tema delicado para muitas pessoas, e a crítica inicial contra essa questão é muito profunda, coisas como: “Não tenha filhos”, “eles tomam seu dinheiro, seu tempo, sua vida”, “aborte que é melhor” são algumas das falas expostas, falas que eles tentam maquiar com alguma piada embutida, porém, se você estiver com bastante atenção a trama vai ficar impressionado com esses diálogos, mas com o decorrer do filme essa crítica toma outros rumos, principalmente quando as pessoas envolvidas tem filhos, eles passam a ter momentos inesquecíveis com suas crianças, e a parte do “não tenha filhos” acaba, e passa para a parte do, “nossa, como é possível viver sem um filho?”.

Também temos a questão da acepção de pessoas, quando David encontra seu filho deficiente a primeira reação que ele tem é fugir, mas logo ele volta, e vê que apesar de qualquer deficiência o que vale é o amor.

David evolui muito como pessoa durante a trama, é muito bacana ver sua mudança, de irresponsável a pai de 534 filhos, e tudo isso em menos de duas horas.

Mas não se iluda, a trama não é 100%, começamos com a questão errônea da comédia ser um drama, depois passamos por erros de duração quanto ao longa, são quase duas horas de filme, e a história em alguns momentos apenas se arrasta, algumas cenas poderiam ser retiradas sem que causasse prejuízo para o público, outro ponto ruim são as cenas de futebol, meu Deus, cada coisa horrível, chega a ser deprimente o quão ruim é a encenação dos jogos e muitas das piadas e do humor pastelão embutido simplesmente não casa com o momento, lógico, em algumas cenas é possível soltar um leve riso, mas nada que faça você gargalhar.

Sem dúvida alguma não é uma obra prima, mas não deixa de ser uma boa trama, com um tema que nunca vai deixar de ser atual, a paternidade.

Recomendado para aquele dia tedioso e chuvoso no meio da semana.

Nota 7.5

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